Não te fiz cartas, não te dei mil presentes. Não tirei fotos contigo, não fiz um vídeo pra você, não gritei ao mundo que você é o dono do meu coração. Não conheci seus pais. Não saí falando seu nome por aí, na verdade, até hoje evito. Nunca entrei na sua casa, não sei como é a sala ou o seu quarto. Não decorei o nome de todos os seus perfumes, do protetor solar que você usa ou o CEP da sua rua. Provavelmente não irei fazer nenhuma dessas coisas. Simplesmente porque não é o que realmente importa. Mas eu guardei e gravei os seus segredos. Eu segui ao seu lado quando ninguém mais seguia, mas gravei isso apenas em mim. O que importa são coisas gravadas sem querer, sem perceber. Quando você me abraçou e disse, brincando, que era pra se proteger de outra garota. Quando disse que me amava, quando se entregou. O amor é feito dessas coisas. Dessas pequenas coisas, sabe!? De sentir um cheiro, não saber o nome do determinado perfume, mas saber que é o cheiro dele, ou dela. Sorrir ao lembrar de um sorriso e chorar ao lembrar de um sofrimento. Querer estar perto o tempo todo, querer saber o que a pessoa comeu no almoço ou no jantar. E, apesar de tudo isso, de todos os números, nomes e tamanhos não decorados, mais uma vez, eu digo: consegui marcar sua vida sem ao menos entrar na sua casa.
- A. Moraes.
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